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Quem foi ao Lions Clube pode conferir toda a velocidade contida nas letras anti religiosas de umas das maiores bandas de death metal da atualidade No último sábado, 16 de janeiro, um dos maiores nomes do death metal mundial tocou em Brasília. A banda liderada por Glen Benton, vocalista que certa vez revelou que cometeria suicídio aos 33 anos durante um show, tocou no Lions Clube de Taguatinga Sul. O show começaria as 20:00, mas como tudo tem seus “pequenos” atrasos, as bandas de abertura iniciaram seus trabalhos cerca de uma hora e meia, duas horas depois do esperado. Lá fora, todos os fãs aguardavam com ansiedade, seja pra comprar seu ingresso; já que a bilheteria só era liberada pra um número limitado de pessoas, ou para entrar logo e aguardar pela grande atração da noite. Os mais tranquilos, aguardavam do lado de fora, sempre degustando alguma cerveja ou vinho que estavam em oferta no local. Já os mais euforicos faziam plantão em frente ao portão. Alguns que chegaram mais cedo puderam acompanhar a entrada do vocalista Glen Benton e tiveram a chance de tirar fotos e ficar perto dos músicos da banda.
A portaria foi sendo liberada aos poucos e as pessoas foram entrando, se identificando e passando pela revista de rotina. Algumas reclamavam do preço do ingresso, já que na hora do show o mesmo teve um aumento de 20 reais. Se o antecipado custara a bagatela de 50 reais, os mais atrasados precisariam desembolsar agora a quantia de 70 reais. Mas, fã que é fã só reclama na hora. A primeira banda a se apresentar foi a prata da casa, Hidden In Flesh, que mostrou toda a agressividade de seu death metal e mostrou de fato porque foi uma das escolhidas. Pesada, rápida e sem frescuras, abriu muito bem o “apetite’ dos headbangers na noite. Duas músicas do EP Death Metal Storm podem ser conferidas no myspace oficial da banda. A Hidden In Flesh tem Pablo Lionço nos vocais, Diego Lima na guitarra, Jeferson Lopes no baixo e Rodrigo Silva na bateria.
Quanto mais o tempo passava mais a galera ficava apreensiva e o grito “Deicide, Deicide, Deicide!” já começava a ecoar, ainda que discretamente nas bocas de alguns. A próxima banda de abertura, Necropsy Room, nasceu no ano de 1998 e é natural de Quirinópolis – Go, mas logo se mudaram para a capital. Influências de Thrash e Death são bastante visíveis no som do grupo, que já tocou com grandes nomes do death, thrash, blues, rock n’ roll e até hardcore em seus 11 anos de carreira. 7 músicas podem ser ouvidas no myspace oficial da banda, assim como também é possivel conferir o vídeoclipe de “Modus Faciendi”. E o giro das cabeças estava apenas esquentando... Feel the evil inside! Necropsy Room é Wesley Amorim nos vocais, Jander Rodrigues e Moisés Henrique nas guitarras, Murilo Ramos no baixo e Marcelo Garcia “Kju” na bateria.
Era finalmente chegada a hora tão esperada por todos os fãs de death metal. Glen Benton e sua trupe finalmente se juntariam no palco do Lions Clube, acabando assim com a expectativa de horas, sofrida por todos desde a espera no portão. Confesso que nesse momento fiquei bastante apreensivo, toda a tranquilidade que eu passava antes do anúncio da banda principal e durante as de abertura ia por água abaixo naquele exato momento. Agora os gritos “Deicide, Deicide, Deicide!” não eram nada discretos e ecoavam de todas as bocas na platéia. Quando finalmente foram anunciados, Glen Benton, Jack Owen, Kevin Querion e Steve Asheim subiram ao palco já mostrando toda a agressividade caracteristica da banda, presente nãos só nas letras, que defendem o extermínio das religiões, como também nos riffs e na bateria., um som empolgante e extremo do começo ao fim.
Tive a impressão de que as 2 primeiras músicas não haviam sido muito bem reguladas, talvez ainda não estivesse acostumado com o "ao vivo" por ser a primeira experiencia com a banda, mas o que eu identificava era uma microfonia forte ao fundo, o que eu já nao ouvia mais a partir da 4ª musica, só não sei se foi uma correção da equipe de audio ou a minha exposição prolongada, já que permaneci do lado da caixa de som durante quase todo o show, seguro na grade.
Grade esta que teve que ser reforçada pelos seguranças em momentos mais “tensos” do show. Em um do vídeos que fiz é possivel ver barras de ferro que seriam usadas para conter (ou pelo menos tentar) os mais empolgados. Durante a execução de algumas músicas do “Once upon the cross” por exemplo, alguns headbangers mais eufóricos barravam o esquema de segurança e pulavam a grade, mas logo eram detidos, mesmo que tivessem que ser arrastados pelas calças ou suspensos por braços e pernas, logo voltavam para os seus lugares.
Durante toda essa loucura e autonomia que a música nos traz, as famosas rodas (ou slam, como queira) se formavam. Era possivel ver de longe o vazio no meio dela e o pouco tempo que alguem conseguia ficar dentro dele. Eu mesmo participei de algumas sessões de slam, mas a dor no pescoço provocada por movimentos repetitivos (se é que você me entende) fez com que eu saísse delas rapidinho. O show chegava ao fim de forma elétrica enquanto todos tentavam ouvir um ao outro. Acho que eu não fui o unico a ficar com o ouvido zunindo durante toda a madrugada e o dia seguinte. Alguns fãs mais esperançosos esperavam que a banda voltasse quando todos voltaram a gritar “Deicide, Deicide, Deicide!”, mas, infelizmente, eles não nos deram esse gosto. “O que aconteceria quando o tinhoso habitasse este mundo?”
Texto: Henrique Rodrigues. Fotos: SM Pro Rock, Henrique Rodrigues, Antunes Garcia
Vídeos: Henrique
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